Quase toda oferta de açúcar que circula no mercado internacional cita uma de duas siglas: VHP ou ICUMSA 45. Elas não são versões do mesmo produto em qualidades diferentes. São produtos diferentes, para compradores diferentes, com logística e referências de preço próprias.
O VHP — Very High Polarization — é açúcar bruto. A polarização mede o teor de sacarose, e no VHP ela é alta o bastante para que o açúcar siga direto para refino no destino. É o principal produto de exportação de açúcar do Brasil, embarcado a granel em navios graneleiros e referenciado no contrato Sugar No. 11 da ICE, em Nova York. Quem compra VHP é, quase sempre, uma refinaria.
O ICUMSA 45 é açúcar branco refinado. A escala ICUMSA mede cor: quanto menor o número, mais branco o açúcar, e 45 é a especificação de referência do branco refinado no comércio internacional. Segue em sacas, big bags ou contêineres, e sua referência de preço é o White Sugar No. 5, em Londres. Quem compra é a indústria de alimentos e bebidas, o distribuidor ou o importador que abastece o varejo.
A diferença importa porque muda tudo o que vem depois: o navio, o porto, o comprador, o preço e o tipo de inspeção. Uma oferta que mistura as duas coisas — VHP “com ICUMSA 45”, por exemplo — já diz algo sobre quem a escreveu.
É também por isso que o ICUMSA 45 merece cuidado redobrado. Ele é o produto mais citado nas ofertas sem lastro que circulam por cadeias de intermediários: volumes mensais muito altos, contratos de muitos meses, preço abaixo da referência e um “procedimento” que pede documentos e garantias do comprador antes de qualquer prova de produto. Nada disso, isoladamente, prova má-fé. Junto, é um padrão conhecido.
Uma manifestação de interesse em açúcar que informa o tipo, a especificação, o volume, o porto e a base de entrega pode ser triada. É a partir daí que a conversa entre as partes começa a valer o tempo de cada uma.