Quem vê a cotação do Brent no noticiário pode imaginar que é esse o preço de qualquer barril. Não é. Brent, WTI e Dubai são referências: correntes específicas, negociadas em grande volume, que servem de régua para as centenas de outras correntes produzidas no mundo.
Cada corrente é vendida a um diferencial sobre a sua referência — um prêmio ou um desconto em dólares por barril. O que define esse diferencial é, antes de tudo, a qualidade. Óleos mais leves, de grau API mais alto, e mais doces, com menos enxofre, rendem mais derivados de valor e custam menos para refinar; tendem a negociar com prêmio. Óleos pesados e azedos tendem ao desconto.
A logística é a segunda parte do diferencial. Uma corrente embarcada longe dos grandes centros de refino carrega o custo do frete até eles. Por isso a mesma qualidade pode valer diferente conforme o porto de carregamento e o destino — e por isso a base de entrega, FOB ou CIF, muda o número que se negocia.
O preço final de uma carga raramente é fixado no dia do contrato. O usual é uma fórmula: a média da referência num período em torno da data do conhecimento de embarque, mais o diferencial acordado. Isso distribui entre as partes o risco de variação de preço durante a janela de carregamento.
Para o comprador, a pergunta certa diante de uma oferta não é “qual o preço?”, mas “qual a corrente, qual a referência, qual o diferencial e qual a base?”. Uma oferta que responde às quatro pode ser avaliada. Uma oferta com preço fixo muito abaixo do mercado e sem corrente nomeada responde a outra pergunta — e não é a que interessa a uma refinaria.